Oi, quer TC?

– Amggggg!!!
– Oi!! Saudades <3- Tbm. Deixa eu perguntar: Você já ouviu falar num negócio chamado “Chatroulette“?
– Não, o que é?
– É um site que a gente usa pra ficar falando com desconhecidos.
– E qual o intuito?
– Falar, ué. Com desconhecidos. Com pessoas que você provavelmente nunca encontraria na vida. E depois, talvez, nunca mais encontrar na vida.
– Hmmm… LEGAL! Vou ver. Tem pornografia lá?
– Pelo menos pelo que eu vi até agora não. Só falei com pessoas normais, olhando pra câmera de uma forma normal, falando sobre coisas normais.
– Massa. Vou entrar nisso aí.
– Tô conversando com um sul-africano. LOL. Adicionei ele no Facebook.
– Oxiii! Ta doida? Fica falando com essa gente desconhecida assim! Você nem sabe se ele é sul-africano mesmo.
– Falou a menina que tá namorando um cara que conheceu num grupo de Whatsapp… anyway, eu stalkeei ele e o local que ele trabalha. Ele tá nas fotos, etc, etc. E é muito gente boa.
– Tão tá. Mas vou sair desse negócio. Começou a aparecer gente indecente pra mim.
– HAHAHA! Pra mim não apareceu nada. Acho que o problema é com você e não com o site hahah

O diálogo posto acima é inspirado em uma conversa de Whatsapp. Particularmente, ainda estranho um pouco as formas de relação entre as pessoas da minha geração. Sim, nós muitas vezes nos conhecemos assim. O número de pessoas que conheci por internet é algo fantástico: tem a menina do twitter, que mora lá no Rio Grande do Norte; tem o amigo de uma amiga, que eu nem conheço pessoalmente mas sei que é gente boa pra caramba; tem o cara que eu conheço há anos mas que só encontrei esse ano e nem parecia que nunca tínhamos nos visto.

O problema de tudo é minha mãe. Minha mãe e minha tia. Elas vivem dizendo pra eu não falar com estranhos porque “Olha só o que aconteceu com essa mulher que está passando aqui no Fantástico! Ela ficou conversando com um cara que disse a ela que era de Miami, que tinha tudo, aí ela foi lá, se apaixonou e ele deu um golpe nela. Tá vendo que isso por acontecer com qualquer um? Cuidado! Não fica aí contando nada de sua vida nessa internet não, que você não sabe com quem você tá lidando… A gente não conhece ninguém…”. Conhecer… está aí uma palavra interessante. O que seria conhecer?

Se lemos as definições de conhecer e conhecimento no dicionário online, podemos dizer que conhecer uma pessoa é reconhecer, distinguir, ter informações sobre alguém, através da experiência de uma relação. Ora, nós nos relacionamos uns com os outros pela internet. Raquel Recuero fala no seu livro “Redes Sociais na Internet” que as ferramentas de Comunicação Mediadas pelo Computador (CMC):

proporcionaram, assim, que atores pudessem construir-se, interagir e comunicar com outros atores, deixando, na rede de computadores, reastros que permitem o reconhecimento dos padrões de suas conexões e a visualização de suas edes sociais através de seus rastros. (RECUERO, Raquel. 2009)

Como ela explica no livro, a nossa identidade é construida e expressa na rede. Esses rastros que deixamos durante a construção e expressão do nosso eu, permite que nós nos conheçamos. Eu já estive, um dia sequer, com a menina do twitter que mora lá no Rio Grande do Norte? Ainda não. E ela é minha amiga? Sim. E isso não é estranho. Tem gente com quem convivo todos os dias, mas que não passam de estranhos para mim.  “Mas é importante ter uma relação face a face”. Concordo plenamente. Existe um conhecimento físico, expressional, reacional, que nós adquirimos no contato “real”. É muito comum que pessoas que se conheceram na rede queiram se encontrar, e tenham planos para tal. Pode ser perigoso? Pode, bastante.

Uma série de TV famosinha que fala sobre relacionamentos virtuais é Catfish, atualmente transmitida pela MTV. “Catfish” é um termo usado para designar pessoas que criam perfis falsos online com o intuito de fazer com que pessoas se apaixonem por elas (</3). A série, então, marca encontros de casais que se relacionam virtualmente mas que não se conhecem pessoalmente, a fim de ver se um dos dois é um Catfish ou não. A parte legal é que são casos reais que mostram dificuldades e soluções reais (e que não são só desastres).

Segundo Donath (1999) a  percepção do Outro é essencial para a interação humana, e na ausência de informações que permeiam a comunicação face a face, as pessoas são julgadas e percebidas por suas palavras. Através dessas interações teremos as impressões, em parte construídas pelos atores e em parte percebidas por eles (Goffman, 1975).

Dá pra confiar? Dá… Não dá… Não sei. Ainda sou do tipo que não usa Tinder pra paquera. Mas também converso com gente que não conheço. O mais importante que tenho em mente é que uma rede social é feita por pessoas (atores) que se relacionam por uma rede tecnológica (não necessariamente de computadores), e existem pessoas de todo tipo. Mas quer uma dica? Não entra nessa de “amor ao primeiro click”. A primeira impressão pode sempre enganar.

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Bibliografia:
RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. 2009 – Disponível em: http://issuu.com/midia8/docs/socialmedia

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