Mídia tem Idade?

Antes de podermos discorrer sobre as novas e velhas mídias, é importante sabermos conceituá-las e diferenciá-las. As velhas mídias são as mídias impressas, como jornais e revistas, e os meios de comunicação em massa, que são as televisões e os rádios (e suas emissoras). As novas mídias estão concentradas em um só lugar: a internet. Na internet nós temos os jornais online, temos blogs, as redes sociais, todas sendo capazes de nos passar informações como as antigas mídias faziam, sendo seu acesso muito mais dinâmico e expresso.

O que acontece na internet em 60 segundos

O que acontece na internet em 60 segundos

Quando usamos o termo “velhas mídias”, nos faz parecer que elas não são mais utilizadas e foram sobrepostas pelas “novas mídias”. Contudo, as velhas mídias ainda são necessárias para a veiculação de informação. O espaço virtual não é capaz por si só de divulgar e distribuir informação para todos, pelo menos não de forma indireta. Quer dizer, ainda temos que buscar a informação na internet se a quisermos, enquanto nos outros meios que já estão “incrustados” na nossa sociedade, nós recebemos a informação muitas vezes de forma indireta, em intervalos comerciais ou até mesmo embutidos no contexto de algo do seu interesse. Isso tudo considerando o fato de que nem todas as pessoas tem acesso à internet ainda, o que apenas solidifica o fato de não podermos abrir mãos das mídias populares.

Agora que distinguimos as novas e velhas mídias, uma indagação é levantada. Em uma notícia publicada na BBC Brasil, onde mostra a diferença de valores das negociações de produtos das novas e velhas mídias, é questionado o porquê dos produtos das novas mídias serem avaliados em um valor tão maior que os das velhas mídias. As novas mídias possibilitaram a descentralização do poder de disseminar informação e produzir conteúdo. Aqueles que detinham o poder nas velhas mídias perceberam que o mundo tecnológico-social tinha muito mais poder de influência que o anterior das velhas mídias.

Manifestos Internet

Agora, cidadãos comuns estão muito mais capazes de produzir conteúdo informativo, se organizar e sair pras ruas para lutar por seus direitos à manifestação de opinião. A internet e suas redes sociais viraram palco de protestos, vale lembrar-se das manifestações de 2013, ano da Copa das Confederações, onde houve a mobilização da população e a cobertura de protestos nas redes sociais, e em todas elas você podia ver a #vemprarua, convocando todos os brasileiros para participar do movimento. Saindo do Brasil, antes mesmo dos protestos de 2013, tivemos a fatídica Primavera Árabe, onde a repercussão nas redes sociais foi tanta que o governo decidiu bloquear o acesso à internet, mas mesmo com esse bloqueio, o conteúdo ao qual eles não tinham controle atingiu outras regiões, mostrando a capacidade da internet de disseminação de informação.

Celulares multifuncionais

Celulares multifuncionais

Com os avanços na tecnologia que acarretaram na criação das “novas mídias”, os jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão sentiram que precisariam aderir aos novos meios de “fazer notícia”, e passaram a reproduzir seus conteúdos na internet, com o intuito de expandir seus horizontes, para que a notícia chegasse onde o meio físico não conseguiria levar. O avanço tecnológico também permitiu que os aparelhos, que antes eram criados com apenas um objetivo e função, exercessem outras funções que antes tinham um aparelho específico para exercê-las. O smartphone é um grande exemplo disso. Antes o celular tinha apenas uma função: se comunicar com outro indivíduo à distância. Agora os celulares vêm equipados com todo tipo de função: tirar fotos, fazer vídeos, acessar a internet, ler livros, jogar online entre tantos outros. Este é o melhor exemplo de Convergência Tecnológica que podemos identificar na contemporaneidade, tudo está sendo digitalizado. Os livros estão perdendo seu corpo físico, nós não precisamos mais “botar o filme” nas câmeras, pois as câmeras digitais já tomaram conta do mercado.

A necessidade da portabilidade não para, é quase como um vício. A sociedade capitalista atual, onde o tamanho, a capacidade e a marca do seu celular te definem, está transformando nossas mais novas gerações em “robôs sedentos por status”.  As multifuncionalidade chegaram a tal ponto que a essência foi perdida, há vários casos de adolescentes que não fazem ligações com o celular e só se comunicam por WhatsApp.

Diante de avanços constantes na tecnologia, em que ponto um aparelho se torna obsoleto? Quando há a necessidade de trocar de celular? A Apple está sempre lançando um iPhone novo a cada ano, mas é escolha do usuário trocar o iPhone 4 dele por um 5. Será mesmo? No começo do século passado, quando as primeiras lâmpadas foram fabricadas, os fabricantes notaram que elas duravam muito e que com isso as vendas seriam muito limitadas. Então eles decidiram fabricar lâmpadas com um limite de duração, para que se tornasse necessária compra frequente de outras lâmpadas para a reposição. Esse é o exemplo mais simples da “Obsolescência Programada”, onde um produtor desenvolvia, fabricava e distribuía um produto para consumo de forma que ele viesse a se tornar obsoleto ou não funcional com intuito de obrigar o consumidor a comprar uma nova geração do mesmo produto. Retomando o exemplo anterior do iPhone, os seus desenvolvedores já o produziam para que, quando uma geração nova fosse lançada, o iPhone anterior se tornasse obsoleto da seguinte forma: uma atualização nova no software que apenas o iPhone da nova geração suportaria e possibilitaria realizar alguma(s) nova função. Independendo da significância daquela função, aqueles que já tinham sido arrebatados pelo sistema, eram automaticamente levados a acreditar que eles “precisavam” comprar o novo modelo do produto. Essa obsolescência programada reflete diretamente com a ideia de consumismo trazida por Karl Marx. No momento em que a ideia de “necessidade” é sobreposta pela ideia de “desejo”, você pode se caracterizar um “ser capitalista”.

Referências:

JENKINS, Henry, Cultura da Convergência. São Paulo :Aleph, 2008

Morris, B. Venda do ‘Post’ expõe contraste entre velha e nova mídia. BBC Brasil. ago, 2013. < http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/08/130806_post_novas_midias_pai> 16/04/2015.